quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Parte excluida do livro amanhecer '





Parte EXCLUÍDA do livro Amanhecer
Lua de mel - Ilha Esme
[Edward]
Isabella Swan. O nome dela rodava em minha mente, inúmeras vezes, como se um
bando de mariposas se chocasse contra uma luz invisível. Por fora eu estava calmo, mas
por dentro os pensamentos se agitavam. Ela era minha esposa. Se entregara a mim de
uma forma que pertencia somente a ela; integralmente, apesar de tudo que nos separava.
E agora estava disposta, mais do que isso, ansiosa para entregar a única coisa que eu
relutava ainda em lhe tirar. Era tão difícil resistir. Eu queria me deixar levar pelo desejo,
abraçá-la, tocá-la, afundar meu corpo no dela; sentir o calor que emanava dela, fazê-la
sentir o prazer que ela queria sentir, que eu queria sentir, e muitas vezes essa
necessidade apagava todas as outras coisas. Mas era nesse momento de abandono que a
sede por seu sangue voltava tão forte quanto nas primeiras vezes. Aquilo me enchia de
medo. E se eu não conseguisse me controlar? Ela era tão frágil. E tão teimosa. Não
podia esperar. E eu não podia lhe negar nada. Não depois de tudo que ela sofrera por
mim. Assim, tomei todas as providências que podia. Estava alimentado. A ilha nos daria
a privacidade necessária e a beleza que ela merecia para emoldurar aquele momento.
Queria que tudo fosse perfeito, inesquecível, mas ainda tinha medo. E sabia que ela
poderia ficar magoada facilmente caso se sentisse rejeitada. Bella... Ainda não entendera
que para mim não existia perfeição além dela.
Tudo isso se passava em minha mente enquanto a esperava, dentro do mar. A temperatura era
agradável, quente. Estava consciente de tudo: do mar prateado pelo luar; do calor do ar úmido;
dos ruídos da noite, dos grilos e insetos tropicais, os pequenos animais que evitavam aquela
região da praia, percebendo a presença do predador. Porque Bella não conseguia perceber isso
da mesma forma? Ainda me perguntava isso todos os dias, admirado com sua coragem,
encantado com sua força e ousadia. Ao longe ouvia os sons que ela fazia na casa. Ouvi quando
se arrumou, os golpes lentos e rítmicos da escova em seus cabelos, o barulho da água na
torneira, depois o chuveiro ligado. Ouvi seus passos quando se aproximou de mim, trazendo o
cheiro marcante, doce e vivo que eu tanto amava, quando entrou na água e se aproximou
devagar. Podia sentir a água formando pequenas ondas com a movimentação do seu corpo.
Podia ouvir sua respiração se acelerar um pouco, como sempre se acelerava nos momentos de
desejo e tensão. Senti vontade de sorrir, mas estava muito tenso com o que estava preste a
acontecer. Continuei de costas para ela, as mãos flutuando na linha da água, esperando que ela
tomasse o primeiro passo. Que nos levaria para o desconhecido. E eu tinha certeza que ela não
hesitaria. Logo ela ficou imóvel, muito próxima. Eu estava olhando para o céu estrelado,
tentando me concentrar. Podia sentir o calor emanando dela também em ondas. Eu sempre
ficava muito consciente de sua presença, fosse pelo calor, fosse pelo cheiro intenso. Mesmo
assim, quando ela colocou sua mão quente sobre a minha, fria, o mundo se transferiu para
aquele ponto onde nossos corpos se tocavam. Se era assim o simples toque de sua mão, diante
de tanta expectativa, o que não seria o resto? Será que enfim poderia conhecer o êxtase do
qual tantas vezes ouvira ao longo dos anos? Medo e desejo se misturaram, deixando minha
garganta seca. “Linda”, ela disse, ao perceber que eu olhava para a lua, com sua voz grave e um
pouco rouca, mas também era como cristal, com um mínimo toque de ansiedade. Ela também
estava com medo. E também não sabia o que esperar. Isso não facilitava as coisas.
“É bonito”, respondi, tranqüilamente, escondendo a tensão, fingindo uma indiferença que eu
não sentia. Era o melhor que poderia fazer no momento. Me virei para olhá-la e vi, com uma
certa surpresa, que estava nua, os braços cruzados defensivamente sobre os seios, a postura
tímida. O luar deixava sua pele pálida e iridescente, causando um contraste indescritível com
os cabelos castanhos. Os fios caiam em mechas pelos dois lados do pescoço, emoldurando o
rosto. Os olhos estavam expressivos, e vi o brilho nas profundezas escuras que eu tanto amava:
amor, desejo, medo, hesitação, expectativa. Como eu poderia corresponder a tantas coisas?
Mas ela me olhava em adoração. Eu não tinha como resistir àquele olhar.
“Mas eu não usaria a palavra linda, não com você aqui para comparar”. Era verdade. Sempre
foi. Ela ergueu a mão, ainda um pouco timidamente e a levou até meu peito, enquanto sorria.
O toque de seus dedos, de sua palma, queimava minha pele, causando uma explosão de calor.
Correntes elétricas se espalhavam pelos meus braços até a ponta dos dedos. Seu toque sempre
me desconcertava, me levava a um estado de tensão e bem-estar incomparáveis. Ela era fogo
para mim. A vida que eu não tinha mais. Senti minha respiração se alterar contra minha
vontade, meu corpo estremecer lentamente. Seu cheiro tinha se tornado mais intenso, mais
delicado, mais saboroso. Ela ainda era um mistério para mim.
Tantas sensações aumentaram minha prontidão, meu corpo se enrijeceu minimamente. Ela
pareceu notar. Aproveitei o momento para tentar mais uma vez prepará-la – e a mim mesmo –
para todas as possibilidades. A voz não era mais do que um sussurro. “Eu prometi que iríamos
tentar... Se eu fizer alguma coisa errada, se eu machucar você, você deve me dizer
imediatamente”. Era uma ordem, não uma pergunta. Eu tinha que deixar isso bem claro,
porque ela simplesmente não conseguia se conter. Esse papel sempre era meu. Ela assentiu,
parecendo me levar com seriedade. Deu um passo à frente, e encostou a cabeça no meu peito.
Pude sentir sua respiração quente contra minha pele, rápida, profunda. Eu não queria magoála,
não queria perturbar aquele momento que já era tão complexo. Busquei algo para dizer que
pudesse tranqüilizá-la. Mas ela foi mais rápida do que minha mente.
“Não se preocupe”, sua voz era um murmúrio. “Nós pertencemos um ao outro”. Aquelas
palavras me emocionaram de uma forma indescritível, e removeram uma parte do meu medo
de forma mais eficiente do que todas as minhas racionalizações. Suspirei profundamente,
inalando o cheiro suave que vinha dos seus cabelos, misturado com o cheiro intenso dela toda.
Puxei seu corpo para mais perto de mim, pousando minhas mãos em suas costas, colando
minha pele contra a dela com cuidado, me deliciando com o calor que irradiava dela e do
ambiente. Era a primeira vez que eu a tocava daquela forma tão completa, e sorri levemente
ao pensar que era apenas o começo.
“Para sempre”, foi tudo em que consegui pensar, antes de puxá-la mais para o fundo da água.
Naquele momento eu era apenas e somente uma parte dela.
[Bella]
Nada do que eu tinha imaginado em tantas noites insones poderia ter me preparado para esse
momento. Apesar de evitar pensar sobre isso, meu próprio corpo rebelde tinha decidido ir até
o fim o mais rápido possível. Eu não gostava de pensar, me deixava embaraçada, mas o desejo
que eu sentia por Edward se tornava cada dia mais latejante, mais impossível de ignorar. As
noites insones se tornavam mais freqüentes, particularmente quando as coisas entre nós
ficavam mais intensas, e ele inevitavelmente parava, e se afastava. Nessas horas meu corpo
reclamava, pulsando, doendo, ardendo por uma satisfação que me era desconhecida, sobre a
qual eu só lera em livros de biologia e romances. Mas aquela necessidade era real. E tão
intensa, que, se Edward pudesse ler meus pensamentos – e felizmente ele não conseguia –
talvez então ele conseguisse entender minha pressa, minha angústia.
E mesmo essa ansiedade, expectativa, necessidade... Nada disso tinha me preparado para a
fome que se apossou de mim no momento em que nossos corpos se tocaram, livres das roupas
pela primeira vez, no calor da água morna. Todas as células do meu corpo estavam
intensamente conscientes da presença dele, do seu cheiro inebriante, da beleza perfeita e
infinita do corpo molhado e iluminado pelo luar. Tudo nele me atraía, para cada vez mais perto,
como se meu corpo quisesse se fundir ao dele, atingindo assim sua própria perfeição. Eu só
podia existir sendo parte dele. Eu pertencia a ele. E eu tinha fome. Tinha pressa. Mas ele não.
Nesses momentos a pressa não existia para Edward Cullen. O tempo parecia se estender, se
alongar. Nunca imaginei que em um segundo cabiam tantas coisas, tanta realidade, tanto dele.
Em câmera lenta, Edward me levou junto a ele até um ponto mais profundo da praia, e meu
coração disparou enlouquecido. Ele não iria desistir, como eu temia. Senti um pouco de culpa,
a culpa familiar, sabendo que ele só estava fazendo isso porque eu insistira tanto, sabendo que
ele tinha medo das conseqüências, muito mais do que eu, porque ele se responsabilizaria por
qualquer coisa que acontecesse. Mas esses pensamentos desapareceram assim que ele me
estabilizou em pé na areia, colou novamente seu corpo ao meu e buscou meu pescoço com os
lábios frios.
“Devagar agora, Bella,” eu ouvi sua voz rouca e entrecortada. “Eu quero ver, conhecer você.
Sonhei muitas vezes com isso.” As palavras foram acompanhadas pelo deslizar de suas mãos
pelas minhas costas enquanto os lábios se colavam aos meus novamente. Fogo e gelo se
mesclavam em mim; era impossível não perceber como sua pele, lábios e língua eram frios ao
toque. A sensação de que eles queimavam sobre mim era de um prazer inigualável, porém o
rastro que deixavam ao mudar de lugar não era de frio ou de dor, e sim de um calor impossível.
Arrepios surgiam nos pontos em que ele me tocava, e se alastravam pelo meu corpo, me
causando arrepios e tremores. Enquanto me beijava lentamente, saboreando cada toque, com
paciência, as pontas de seus dedos exploravam minhas costas da base da nuca até a curva dos
quadris. A língua percorria meus lábios sem pressa, entreabrindo-os e tocando minha própria
língua, fazendo movimentos de reconhecimento, de invasão, o que espalhou um calor já
familiar no centro de meu corpo, no estômago, e entre as pernas. Ele arriscou uma leve
mordida em minha língua. Me senti desfalecer por alguns segundos, respirei mais
profundamente, buscando o ar que me faltava. Ele pareceu perceber, e parou por um
momento, pousando as palmas da mão em meus quadris, possessivamente. Ouvi sua risada
rouca e baixa quando gemi involuntariamente ao sentir que ele parava. “Não se preocupe,
amor,” ele disse, buscando meus olhos, o meio-sorriso torto que eu amava tanto brincando em
seus lábios. “Nós temos a noite toda”. E dizendo isso, deslizou uma mão pela lateral do meu
quadril até a minha perna, novamente usando apenas a ponta do dedo. Fiquei novamente
ofegante. Não sabia se conseguiria agüentar tanta tensão, com certeza teria um ataque
cardíaco. Não sabia se conseguiria resistir a tanto prazer.
Dessa vez eu que me afastei um pouco, me descolando dele. Precisava de ar. O meio-sorriso
continuava em seu rosto perfeito. Resolvi me vingar da lenta tortura, e um sorriso malicioso
surgiu em meus lábios.
“Edward”, minha voz saiu entrecortada, me fazendo corar. “Pode se virar um pouco, por
favor?”.
Ele ergueu uma sobrancelha com expressão curiosa, mas não questionou. Virou-se lentamente
de costas para mim, deixando à mostra o dorso perfeito, forte, esculpido em mármore. O mar
escuro brilhava ao redor dele, que se parecia ainda mais com um deus. Água escorria do cabelo
e da pele molhada criando riscos prateados na pele perfeita. Minha respiração aos poucos foi
voltando ao normal, e eu me aproximei dele com uma calma que não sentia, e me encostei
contra ele, colando meu peito em suas costas. O choque do frio de sua pele contra a minha,
fervente, me fez estremecer violentamente, e o coração voltar a disparar. Já estava começando
a lamentar aquele movimento quando percebi que ele também estava reagindo com certa
violência, a respiração acelerada, pequenos tremores na pele, como calafrios. Senti meus
mamilos se enrijecerem contra a pele fria, e formigarem, ansiando pelo toque de suas mãos.
Mais uma vez agradeci por ele não ser capaz de ler minha mente, e encostei meus lábios em
seu pescoço, enquanto percorria seu peito com minhas mãos espalmadas, de cima a baixo, me
aproximando do ventre liso, fazendo o inverso do que ele fizera comigo. A pele estava salgada,
úmida, e fui explorando a nuca com a língua, fazendo traços em direção à orelha, e senti o
corpo dele se enrijecer sob minhas mãos, enquanto eu passeava com elas explorando cada
pedaço pelo qual elas ansiavam. Percorri a parte interna do braço, os ombros perfeitos, depois
voltei até a ponta dos dedos, que se entrelaçaram aos meus enquanto eu continuava o
caminho com os lábios. Decidi ousar um pouco, mordendo a ponta da orelha com cuidado,
apesar de saber que aquilo jamais o machucaria. O efeito, no entanto, foi inesperado. Ele
apertou minhas mãos com força, me fazendo gemer assustada em protesto. Ele imediatamente
me soltou e ficou estático, parado. Senti a tensão mudar em seu corpo, para algo diferente.
“Desculpe, Bella. Machuquei você?” Ele tentou se virar e me encarar, mas eu o segurei no
lugar, e continuei com os lábios em sua orelha.
“Não, Edward. Só me assustei, não imaginei que você fosse reagir assim”. Fiquei feliz por ele
não conseguir ver meu rosto, intensamente ruborizado. Ele pareceu relaxar, então.
“Você não tem idéia dos efeitos que está me causando, amor. Talvez mais tarde eu possa tentar
lhe mostrar”. Apesar de não ver seu rosto eu podia sentir o meio-sorriso em sua voz. O sorriso
que eu tanto amava. “Na verdade não vai ser tão tarde assim. Em breve será minha vez”.
[Edward]
Ela realmente estava me surpreendendo. Claro que eu conseguia imaginar a extensão do
desejo que a consumia. Eu via isso em seus olhos, nos lábios entreabertos, na respiração e nos
gemidos, e tudo aquilo me levava à beira da insanidade, como se sua paixão alimentasse a
minha. Quando beijei seu pescoço pela primeira vez naquela noite, tive que refrear a vontade
súbita de mordê-la, de beber sua vida até o final, de saciar aquela sede que muitas vezes ainda
surgia, apesar do controle que consegui desenvolver, de provar novamente aquele gosto
infinitamente delicioso que era o do seu sangue. Ela podia ter esquecido que eu já a provara
antes, quando fora mordida por James e o veneno dele corria em suas veias, matando- a
lentamente. Por isso podia lidar tão calmamente com minha presença a seu lado, daquela
forma tão íntima. Mas eu não esquecera. As muitas fomes que eu sentia dela - de sua
presença, de seu corpo, de sua mente, de seu sangue, de seu prazer – se mesclavam e me
deixavam tonto, beirando a falta de controle. Aquela noite me dava prazer e me feria, mas cada
vez menos eu conseguia pensar em parar. Eu só conseguia pensar em continuar. Décadas de
auto-controle iam se desfazendo sob suas mãos quentes, seu calor, seu cheiro, sua insensatez.
Ela era minha mulher, era minha. Porque não tomá-la, se era esse o seu, o meu desejo? Eu
conseguiria parar se a machucasse. Mas ela conseguiria?
Percebi que machucara um pouco suas mãos, eu era tão mais forte. Ela esconderia, claro.
Precisava de forças para conseguir reagir ao menor sinal de dor, mas onde eu conseguiria essa
força? Era hora de assumir o controle de novo. As mãos de fogo passeando por meu peito,
chegando ao meu centro estavam me enlouquecendo, seus lábios em minha orelha impediam
meus pensamentos coerentes. A vontade de prolongar tudo lutava contra a vontade de chegar
ao final de tudo, e nós precisávamos de mais tempo. Era muito risco a se correr por alguns
segundos de satisfação. E ela merecia mais do que isso. Eu também.
Tudo isso eu pensava enquanto ela retomava o passeio das mãos por meu corpo, incluindo
agora as costas; ela se afastara um pouco após minha reação, para testar meu ânimo. Bella
temia muito que eu parasse, e uma parte cada vez menor de mim, é verdade, ainda não queria
estar ali, gritava que era perigoso demais, que nunca fora tentado antes, que eu não tinha
experiência e controle suficientes. Ao mesmo tempo meu corpo já sentia a ausência do seu
calor em minhas costas, da pressão dos seios delicados contra minha pele. Eu sempre queria
mais dela. Assim, segurei suas mãos enquanto desciam pela parte interna das minhas coxas, e
as trouxe até meu peito novamente. “Seu tempo acabou, Isabella Cullen. Minha vez”. Não
consegui evitar o sorriso ao ouvir o nome. Virei para ela e olhei profundamente em seus olhos.
Ela sorria levemente, o olhar novamente tímido.
“Feche os olhos”, ordenei. Ela obedeceu rapidamente, mordendo os lábios devagar. Apoiei uma
mão em suas costas – ela ofegou, surpresa, e com a outra apoiei a parte de trás de suas pernas,
e a fiz flutuar. A água nos deixava leves, e em pouco tempo ela estava boiando na linha da
água, e eu pude ter enfim uma visão completa de seu corpo. Bella não tinha uma beleza
clássica, ou gritante. Mas as linhas e curvas eram suaves e proporcionais, e tinham uma graça
particular, apesar dos gestos impensados, impulsivos e desajeitados. Tudo isso a tornava ainda
mais linda. O rosto era particularmente atraente, nobre. As pernas eram bem-feitas, alongadas,
e o quadril sinuoso. O cabelo tinha um tom de seda marrom envelhecida, um mogno perfeito,
e os olhos castanhos assumiam um tom âmbar na luz. Ela seria estonteante se um dia se
tornasse uma de nós. O que estava acontecendo comigo? Ela já estava me fazendo considerar a
idéia com mais facilidade? Percebi que ela corava sob o meu olhar, e agi antes de lhe causar
desconforto. Mantendo seu corpo flutuando, me abaixei um pouco e me aproximei do ventre
liso. Ela quase caiu das minhas mãos quando meus lábios alcançaram a pele suave perto do
umbigo, se debatendo um pouco, enquanto tentava se lembrar de como respirar, e nisso ela
era tão Bella! O sorriso em meus lábios se ampliou, a tensão deixando um pouco meus
músculos.
“Oh, Edward”, ela gemeu quando eu a segurei no lugar e comecei a subir com a boca em
direção aos seios. Pequenos espamos a sacudiram enquanto minha boca procurava, alcançava
e provocava os pontos mais sensíveis. Ao mesmo tempo em que meus lábios subiam
novamente para o pescoço, mergulhei seu corpo novamente na água quente, para evitar que
sentisse frio. Quando ela ficou em pé novamente na água me encostei todo nela, e desci as
mãos novamente para suas coxas, entreabrindo-as. Ela ofegou em meu ouvido, e eu encontrei
novamente seus lábios em um beijo intenso, devorador, enquanto minhas mãos a tocavam
cada vez mais fundo, encontrando calor, umidade e aceitação. Ela separou as pernas por
reflexo, e eu a explorei longamente, aprendendo todos os pontos sensíveis, observando suas
reações, seus suspiros, os arpejos da respiração descoordenada, dando tempo para que ela se
acostumasse com a intimidade, e ao mesmo tempo devorando sua boca com a minha,
invadindo-a duplamente. Em um determinado momento ela explodiu em tremores, e sua
respiração cessou por alguns instantes. Um sorriso iluminou meu rosto enquanto eu a apertava
contra mim, ouvindo os gemidos baixos e suaves que eram como música enquanto ela repetia
meu nome. Quando ela parou de estremecer eu ergui seu rosto com as duas mãos, e a olhei
mais uma vez. Eu nunca cansava de olhar para ela. Suas pupilas estavam dilatadas, a boca
entreaberta respirando rapidamente, o corpo se recuperando aos poucos do êxtase. O rosto
estava corado, e naquele momento a sede por ela ficou insuportável. Eu me afastei um pouco,
enquanto travava todos os músculos do corpo. Ela me olhou confusa por uns segundos, e
pareceu compreender. Ficou em silêncio, me observando, enquanto eu recuperava o controle
aos poucos.
“Eu te amo, Edward”, ouvi a voz rouca e macia. “Não tenha medo, você não vai me machucar”.
Ah, como eu queria ter essa confiança! Até agora estava tudo indo bem, mas o teste final ainda
estava longe, e por duas vezes eu tive que parar. O que fazer se não conseguisse mais?
Mas então ela se colou a mim novamente, a boca devorando meus lábios, suas mãos por todo
o meu corpo, como se a pequena experiência de instantes atrás tivesse apenas despertado
ainda mais a fome intensa que ela sentia, e todos os pensamentos fugiram de minha mente
mais uma vez. Só o que havia era o calor daquela mulher. O calor que aumentava a cada
segundo, me carregando para longe de tudo.
[Bella]
Quando ele segurou meu rosto com as palmas das mãos frias e olhou para mim, o mundo
voltou a girar. Antes tudo estava parado: o mundo, minha mente, meu corpo, meus nervos,
meu coração. Tudo estava envolto em uma névoa de lassidão, parecia ter deixado de existir, e
voltava ao foco lentamente. Meu corpo havia se preparado para aquilo antes, e se frustrado
inúmeras vezes, quando ele interrompia as noites em que estávamos juntos nos momentos
mais intensos. A ausência de frustração, a necessidade preenchida, o calor que ele me fizera
sentir, apesar do frio de suas mãos... Naquele momento eu deixei o planeta, e fui parar em
algum outro lugar onde não existia mais nada a não ser Edward. Como se isso fosse possível.
Alguns dos romances descreviam o clímax como “a pequena morte”, principalmente os
franceses. Acho que agora eu entendia o porquê; era mesmo uma experiência de quase morte,
da qual eu voltei com relutância, com medo de que alguma coisa pudesse dar errado fora
daquele ninho de sensações extasiantes.
Mas era ele quem me trazia de volta, com seu toque gélido, seus olhos cheios de paixão. Era
ele quem me fazia esquecer a súbita timidez que vinha da minha falta de roupas. Que fez com
que eu me sentisse uma pessoa completa. Olhei para ele e senti que meu coração poderia
explodir com tantos sentimentos, eu não sabia na verdade como eu ainda conseguia viver ao
lado dele. Era de se esperar que eu já tivesse morrido ou algo assim. Morrido de amor. Seria
poético e adequado.
E então suas feições – sempre perfeitas, eternizadas naquele rosto adolescente dos meus
sonhos – suas feições se modificaram. Eu vi seus lábios se entreabrirem como se ele estivesse
com sede; os dentes afiados visíveis ao luar. Os olhos se nublaram por uns instantes e ele não
estava exatamente ali; aquilo me assustou, pois eu nunca o vira antes daquela forma. Naquele
momento ele era exatamente o predador perigoso contra o qual ele sempre me alertava, que
sempre o preocupava. E então ele voltou, e se afastou de mim. Me senti solitária. Soltei o
suspiro que estava prendendo, e o observei procurando alguma reação, alguma pista de como
ele estava se sentindo. Ficou imóvel como uma estátua, olhando para o horizonte. Depois
olhou para mim com uma expressão vaga e distante.
Eu precisava dizer algo, e foi o que meu coração sentia como verdade absoluta.
“Eu te amo, Edward”. Era verdade absoluta. “Não tenha medo, você não vai me machucar”.
Para mim aquilo também era verdade. Eu apenas não podia acreditar que ele pudesse me ferir.
E caso acontecesse... Descobri naquele momento que estava disposta a morrer se fosse por
suas mãos, seus dentes, sua boca. Então eu seria completamente dele. Sei que isso era errado,
insano, mas quantas coisas não haviam sido desde que nossa história começara...? Seria
apenas o desfecho perfeito para o estranho amor entre um vampiro e uma humana.
Ele me olhou novamente, e só nós dois existíamos no mundo. Ele me olhou como se estivesse
me descobrindo pela primeira vez; eu sentia como se fosse. Reconheci também em seu olhar
aquele sentimento que eu temia ver desde o início: medo de me perder, dúvida. Ele estava
hesitando.
“Bella”, ele começou a dizer, mas eu o silenciei com um beijo que nunca me permitira antes.
Não havia palavras para dizer a ele tudo que eu queria, então cruzei dedos imaginários na
minha mente e torci para que meu corpo conseguisse transmitir toda a confiança, toda a
vontade que eu tinha, o quanto aquilo tudo estava sendo importante para mim. Ele, que
sempre era tão mais rápido, mais forte, mais perceptivo, mais resistente... Saber que eu tinha o
poder de quebrar seu controle nos deixava em pé de igualdade. O amor se tornava um campo
de batalha no qual tínhamos forças parecidas. Naquele momento, em que eu o conduzia pela
mão e o fazia sentir humano mais uma vez, nós éramos iguais. E talvez ele nunca pudesse
entender como isso explicava minha insistência em que tivéssemos ao menos essa noite, antes
de minha transformação. Era egoísta de minha parte, trazer sofrimento a ele, mas aquilo nos
nivelava. E só assim eu podia sentir que tinha valor na vida de Edward Cullen. Só assim eu
podia entrar naquele universo com ele feliz em ser apenas a mortal, frágil e indefesa Bella
Swan, e sentir que tinha algo a oferecer àquele ser que não precisava de mais nada.
O beijo, que pretendia dizer tantas coisas, acabou se tornando uma tempestade de calor e frio,
enquanto o desejo de me tornar completamente dele voltava com força redobrada, levando
minhas mãos a deslizar por seu corpo invernal com uma ousadia que me deixou novamente
corada. Aquilo me surpreendeu e me assustou, e desta vez, apesar do abandono pleno de
Edward, que devorava meus lábios e língua com igual intensidade, eu me afastei, buscando ar.
Mas não era ar que eu queria. Eu queria certezas. Apenas o que eu não podia ter...
“Bella, amor, o que houve? Você está bem?” A preocupação que havia na voz dele, tão familiar,
me doeu. Eu não queria estar fazendo isso desta forma, coagindo a pessoa que eu amava
acima de mim mesma. Eu queria que ele se sentisse bem, sem culpa. Será que seria
impossível?
Ficamos por um tempo buscando, no olhar do outro, respostas para perguntas silenciosas. Até
que me afastei dele um pouco mais, nadando com braçadas lentas até mais perto da margem
da praia. Até um ponto em que pudesse me sentar, sentindo as pequenas ondas mornas se
chocarem contra minha pele. A lua subira no céu, eu não sabia mais que horas eram, o tempo
se tornara uma coisa fluida, intangível. De certa forma eu queria e não queria que aquele
momento durasse para sempre.
“Bella?” A ansiedade na voz de Edward se tornou mais perceptível. Como eu queria tirar
aquela ansiedade dele para sempre! Não ser um objeto de preocupação eterna...
Eu sabia que estava estragando o clima, mas não conseguia controlar os pensamentos, e mais
uma vez, eu senti que estava prestes a arruinar tudo. Porque isso acontecia comigo? E justo
nesse momento? Eu sempre estragava tudo.
Não consegui responder, porque não consegui nem mesmo aceitar que minha mente estivesse
tendo uma crise de consciência naquele momento, depois de tudo que já acontecera, mas
talvez fosse exatamente o momento certo, antes que algo mais acontecesse.
“Bella, o que houve?” De repente ele estava ao meu lado, guardando certa distância. “Fale
comigo. Não está arrependida, está?” Os olhos agora transbordavam algo que beirava o pânico,
e eu não pude mais pensar, ou me conter. Estendi as mãos para ele, que entrelaçou os dedos
nos meus, me devorando com os olhos, tentando alcançar meus pensamentos, mas impotente.
De repente tudo que eu estava pensando veio à tona, não consegui mais segurar as palavras.
Disse tudo que pensara nos últimos instantes. Sobre a preocupação constante. Sobre eu ser
algo único na vida dele. Sobre o amor ser na verdade um campo de batalha. Ele ouviu tudo em
silêncio, com um ar solene. E por fim, disse a ele que não queria nada que ele não quisesse
inteiramente. Que se ele ainda tivesse alguma dúvida, qualquer uma, eu não o forçaria mais a
continuar, independente de qualquer acordo prévio, porque eu sabia que ele estava passando
por sofrimento demais para me dar aquele momento. E que eu não me importava em morrer
em seus braços; o que me importava era saber o que quão horrível ele se sentiria se algo me
acontecesse.
Quando terminei, houve um período de silêncio. Dei tempo a ele, que ficou imóvel, pensativo,
enquanto eu me apercebia novamente da beleza do ambiente ao redor. Apesar da água morna,
uma brisa fresca começou a soprar do norte, e o ar fresco contra minha pele molhada me
causava arrepios. O cheiro da brisa era salgado, me lembrava um pouco a brisa da praia em La
Push. Outra vez agradeci mentalmente por ter um cérebro torto e inacessível a Edward. La
Push sempre me lembrava Jacob, e aquele momento era bem inconveniente. Mas a lembrança
desta vez não trazia nada além de um pouco de paz, como ecos de uma onda distante que nos
embala sem causar grandes distorções na superfície.
Senti a mão de Edward em meus cabelos molhados, afastando-os do meu rosto. Senti a ponta
dos dedos frios traçarem as linhas do meu queixo, virando meu rosto para olhar para ele.
Sua expressão estava serena. Mais do que isso, seus olhos brilhavam com o reflexo do luar, e eu
pude ler neles a extensão do seu amor. Só aquilo já me encheu de alegria. Ele poderia até
desistir. Eu não me importaria mais. Só o que me importava era estar com ele.
“Bella”. Eu amava o jeito com que ele sussurrava meu nome. Ele encostou a testa na minha, e
ambos ficamos de olhos fechados, mãos entrelaçadas. “Você tem idéia de como representa
tudo na minha vida desde que entrou nela?”
“Bem, tenho certeza de que ela ficou um pouco mais movimentada”, eu respondi, tentando
brincar.
“E você tem idéia de que eu quero que esta noite aconteça tanto quanto você? Ou até mais? O
quanto eu quero que você seja completa, inteiramente minha?” Bem, isso eu não tinha
certeza. Fiquei em silêncio. Ele prosseguiu.
“Acho que agora consigo entender você melhor. Entender porque isso é tão importante para
você. Que não é só capricho ou inconseqüência. Porque” – ele me interrompeu antes que eu
pudesse responder – “isso é perigoso, Bella. Eu preciso que você saiba disso, de toda a
extensão do perigo que você está correndo. Você sabe disso, não sabe?”
Me lembrei do olhar vago dele, os dentes brilhando ao luar. Estremeci. Acenei com a cabeça, a
boca subitamente seca.
“Então você entende os riscos envolvidos. E mesmo assim pretende ir até o fim?”
Acenei novamente. Edward conseguia ser formal mesmo nessas horas, os dois sem roupas,
sentados no mar, em uma praia deserta de uma ilha tropical.
Ele suspirou. Mas depois sorriu, o meu sorriso torto; discreto, mas estava lá. “Então acho que
temos que tomar um banho, Sra. Cullen, e fazer isso direito. Temos uma cama nos esperando.
Eu tenho quase certeza de que amanhã eu vou me arrepender, mas vou esquecer as
preocupações por uma noite. É tudo que eu garanto no momento”
Foi minha vez de sorrir, um sorriso iluminado. “Tenho certeza que vai ser suficiente”. Ele então
me tomou novamente nos braços e me carregou para dentro da casa, enquanto eu tremia de
frio, amor e expectativa.
[Edward]
PARTE I
Era incrível como Bella sempre me surpreendia. Além de não ter a menor certeza da
importância que tinha em minha vida, conseguia fazer com que o amor que eu sentia por ela
aumentasse cada vez mais, com gestos simples, com palavras inesperadas. Sempre que eu
achava impossível que meu coração comportasse mais coisas, ela aparecia com alguma
surpresa que me pegava desprevenido.
Foi assim naquele momento em que ela confessou o que estava pensando de forma tão pouco
calculada, embora ela sempre fosse mesmo muito transparente. Eu estava me preparando para
algo diferente, por causa da reação inesperada que ela tivera durante o beijo, e ela terminou
por me dar a opção que eu sempre quis que ela me desse: a de não passar pelo tormento de
estar com ela e terminar por feri-la no processo.
Não foi uma decisão fácil de tomar. Ter algo muito precioso nas mãos e decidir correr o risco de
perdê-lo, podendo aguardar um pouco para poder desfrutar dele de forma mais segura, mais
completa... Que tolo faria isso a não ser alguém muito apaixonado... como eu? Mas agora que
ela verbalizara seus pensamentos, as coisas se tornavam mais claras, e justificavam melhor o
risco. Ela era humana. Queria essa experiência. Queria me dar essa experiência. Que eu tivesse
como retirar dela tudo o que podia me dar, antes de mudar para sempre.
Aos poucos o pânico foi se dissolvendo da minha mente, e a vontade que sentia por ela
aumentou, apagando o resto das minhas dúvidas temporariamente. Aquilo aumentou também
minha confiança no meu controle. Talvez se eu me entregasse ao que sentia ao invés de lutar
contra; se conseguisse canalizar a força de meu desejo ao invés de combatê-la...
E assim, ao invés de desistir, de confessar que não confiava mais no meu autocontrole, eu a
trouxe para a casa em meus braços, tentando não segurá-la muito perto para que não sentisse
frio. Enquanto carregava seu corpo leve, continuava a devorá-la com os olhos. A espera havia
demorado muito, e agora eu me permitiria desfrutar do que nos fora negado por tantos meses.
Intimidade absoluta.
Levei-a direto para o banheiro, mantendo as luzes apagadas. Eu não precisava de luzes,
enxergava muito bem no escuro. Deixei-a em pé em frente ao chuveiro e sorri, mesmo sem
saber se ela conseguia ver. Abri uma das torneiras e deixei a água quente, o máximo que
poderia estar sem que ela se queimasse, e beijei sua testa de leve.
“Bella, amor. Se esquente um pouco, eu já volto. Você deve estar gelada a essa altura.”
“Um pouco”, ela concordou, enquanto deslizava com cuidado para dentro do chuveiro. Senti
que ela relaxava ao contato da água quente, e lutei contra a vontade de me juntar a ela
naquele mesmo momento. Tinha ainda algumas coisas a preparar.
PARTE II
Voltei ao banheiro poucos minutos depois. Ela estava encostada na parede, que era de granito,
deixando a água quente escorrer pelas suas costas. Parecia bem, grande parte da tensão
dissolvida pelo calor e pressão da água, que era bem forte. O ambiente se enchera de vapor,
criando uma névoa densa, e ali o cheiro dela ficava um pouco mais leve, quando misturado a
tanta água no ar. “Você tem alguma idéia de como é irresistível?” Eu perguntei, enquanto
entrava no chuveiro, e me colocava entre ela e o jato de água, esquentando também meu
corpo. Ela se virou, e ergueu a cabeça ao olhar para mim. Busquei seus lábios com os meus
com gentileza, testando seu humor. Era sempre imprevisível para mim. Ela me beijou de volta
devagar, tocando meus lábios com a ponta da língua, fazendo caminhos, sem pressa. Eu amava
essa nova faceta dela, que estava sendo despertada aos poucos, essa confiança, essa falta de
timidez. Ela estava deixando a adolescência cada vez mais rápido. E nunca me pareceu mesmo
uma adolescente; Bella sempre fora mais madura do que as outras garotas de sua idade. Isso
compensava o excesso de timidez e insegurança que eram típicos dela. Eu amava sua
seriedade, seu senso de responsabilidade, de conseqüência, a forma como se preocupava com
sua família e com o bem-estar de todos, principalmente comigo, que tanto a fizera sofrer.
Amava até mesmo seu silêncio, quando estávamos na escola, enquanto todos riam, brincavam
e faziam barulho. Aquilo a aproximava de mim.
Aproveitei que o beijo a estava deixando sem ar e parei um pouco. Olhei em volta; o lugar onde
ficava o chuveiro era enorme, as paredes eram todas de granito claro, ao lado tinha um
pequeno jardim de inverno com folhagens e um banco de pedra. Levei o que trouxera na mão
até lá, puxando-a pela cintura, sem desligar o chuveiro, o vapor funcionava como uma sauna,
esquentando o ambiente. Senti um cheiro leve de suor, que vinha dela e melhorava ainda mais
seu perfume, deixando-a ainda mais viva, mais saborosa. Sentei no banco de pedra e coloquei
uma toalha que molhara com água quente em meu colo, para diminuir o choque de
temperatura. Fiz com que ela se sentasse sobre minhas pernas de costas para mim. Afastei os
cabelos molhados, empurrando-os para a frente, deixando a visão plena de suas costas nuas.
Comecei a deslizar as mãos pelas costas molhadas, sentindo os músculos se contraindo a cada
toque. Eu queria que ela relaxasse, mas estava surtindo o efeito contrário.
Me inclinei para a frente, até que estivesse perto de sua orelha. “Bella,” sussurrei, “relaxe, não
vamos ter pressa”.
“Não quero relaxar”, ela resmungou, com um toque de diversão em sua voz. “Na verdade meu
corpo é quem não quer, eu não consigo evitar”. Agora eu ouvi o sorriso em sua voz, junto ao
suspiro lento. Era melhor assim. A tempestade de suas emoções aparentemente estava se
dissolvendo.
“Vamos resolver isso. Parece que Alice tinha algumas sugestões a nos dar, encontrei algumas
delas espalhadas pela casa.”
“Ah, não!” ela respondeu, um pouco constrangida. “Aqui também?”
“Como assim também?” Provoquei. Imaginei que minha irmã teria reservado algumas
surpresas para o guarda-roupa de Bella, mas não quis tocar no assunto, pois sabia o quanto
aquilo a deixava envergonhada.
“Hum. Nada, você sabe como é a Alice. Sempre dando muitas sugestões.”
“Concordo. Mas devo admitir que gostei delas, dessa vez. Quase tanto quanto gostei do seu
vestido de noiva.”
“Ah.” Ela não conseguiu encontrar mais nada para dizer. Devia estar terrivelmente vermelha.
Confesso que para mim também era estranho estar com ela daquela forma, mas estava
encantado com as descobertas. Tantos anos ouvindo comentários e piadas internas de Jasper e
Emmet; finalmente eu podia entender algumas coisas por mim mesmo, sem precisar ficar
sondando os pensamentos alheios, ou recebendo informações da vida íntima deles mesmo
quando eu não queria.
E também... Era a primeira vez que eu amava tanto alguém assim. Queria que tudo fosse
perfeito. E como ela nunca tinha feito isso com ninguém antes... Eu sabia o quão
desconfortável poderia ser para ela se eu não tomasse cuidado.
“Seus olhos estão fechados?” Perguntei a ela.
“Sim.” Ela repondeu, um pouco desconfiada.
“Então eu quero que você relaxe. E eu quero conhecer seu corpo. Se – se você me prometer
que não vai se descontrolar. Promete?”
“Não.” “Essa é a minha Isabella. Eu gosto do seu nome assim. Bella é lindo, mas Isabella é mais
clássico. Combina com você. Posso começar?”
“Aham”. Senti que o corpo dela estava tenso de novo, em antecipação. Dei uma risada rouca.
De repente fiquei novamente muito consciente do corpo dela junto ao meu, sentada em meu
colo... Seria muito fácil apenas afastar a toalha, me mover para junto dela, dentro dela. Mas
não queria que fosse assim. Afastei os pensamentos em outra direção, e passei de novo as
mãos pelas costas nuas, só que agora para espalhar um líquido que Alice deixara em um frasco
no armário do banheiro. A substância era oleosa, com um perfume bastante agradável, e
segundo a nota que ela deixara vinha de plantas e flores que cresciam na ilha. Ela deixou
escapar um gemido.
“Não sabia que você também entendia dessas coisas,” ela comentou, com a voz baixa e
entrecortada.
“Com você eu sempre tento ser muito humano, você sabe. Além disso, Carlisle é médico, ele
me ensinou algumas coisas. E assisto filmes de vez em quando.”
“Que tipo de filmes você anda assistindo, hein?” ela perguntou, enquanto meus dedos iam
encontrando pontos de tensão nos músculos e desfazendo devagar, com cuidado. Qualquer
força a mais que eu usasse poderia machucá-la. Ela não sabia que isso também era um
exercício para que eu soubesse até onde poderia ir.
“Você se surpreenderia,” respondi, provocando.
“Edward! Você não andou assistindo...” Ela não conseguiu terminar a frase, e não consegui
conter as risadas. Depois que terminei de explorar suas costas, passei para os braços, me
demorando na parte interna, onde a pele era mais sensível. Senti que a respiração dela e o
coração iam se acelerando. Quando isso acontecia, eu parava. Ela se manteve o quanto pôde
dentro da promessa de relaxar, mas eu sabia que estava ficado cada vez mais difícil. Eu ia
saboreando suas reações, encantado; o óleo e o vapor camuflavam seu cheiro, tornando fácil a
parte de me controlar; fiz uma nota mental para agradecer a Alice depois. Quando terminei
com os braços desci para as pernas, ela permanecia sentada em meu colo, então mudei de
posição e a coloquei deitada de costas no banco, sobre a toalha, e me ajoelhei ao lado dela
enquanto deslizava as mãos pelas pernas de cima a baixo até os pés, memorizando cada
detalhe, cada imperfeição, cada dedo, a textura da pele, a firmeza dos músculos, as curvas, a
delicadeza, a fragilidade dela sob minhas mãos. Percebi que algumas vezes a toquei com muita
força, ela não reclamava, mas eu percebia; aos poucos fui aprendendo o que tinha que fazer, a
pressão que podia usar, a forma que ela mais apreciava. O Leão e o cordeiro. Mas dessa vez era
o próprio cordeiro quem se sacrificava. Se bem que, eu tinha que admitir, ela estava gostando
bastante. Não parecia um grande sacrifício... Por enquanto.
Evitei outras áreas propositadamente, antes que o controle nos fugisse. A noite ainda era uma
criança, e aparentemente a satisfação que ela alcançara enquanto estávamos na praia havia
diminuído um pouco sua urgência. Quando me dei por satisfeito, ergui-a novamente, e a levei
até o chuveiro, para que retirasse o excesso do óleo. Ao ver a expressão de prazer em seu rosto
não consegui me conter, colei meu corpo no seu, sentindo a pele dela deslizar contra a minha,
e a beijei até ficarmos ambos sem fôlego nenhum, enquanto as mãos delas deslizavam por
mim já com certa desinibição; sem fôlego era modo de dizer, já que eu não respirava, mas meu
peito queimava, e a boca ardia de desejo, seca. Quando falei, as palavras saíram com
dificuldade, entrecortadas.
“Bella... assim... nós vamos... acabar pulando as etapas.”
“Etapas?” Foi só o que ela conseguiu balbuciar, enquanto colocava a mão no peito, como se
estivesse sem ar depois de correr por muitos metros.
“Você vai gostar. Vai ficar quietinha?”
“Ei! Eu não fiz nada dessa vez! Você me agarrou!” Ela protestou, e estava certa. Eu é que havia
me adiantado.
“É verdade. Vamos, então?” Envolvi Bella com a toalha úmida, retirando o excesso de água da
pele e dos cabelos, e a carreguei mais uma vez, até o quarto. Em meus pensamentos, torcia
para que tudo desse certo até o final.
[Bella]
Bem, eu podia estar em silêncio, como sempre, sem palavras como sempre, mas isso não
significava que eu não estava com a mente em um turbilhão de palavras, sentimentos e
sensações como nunca antes em minha vida. E era sempre ele quem causava isso, Edward, o
meu deus particular, perfeito, o vampiro perigoso e apaixonado dos meus sonhos. Estar
vivendo aquilo com o qual eu tanto ansiei era indescritível. E quando eu achava que não podia
ficar melhor, ficava. E ele ainda dizia que tinha outras coisas guardadas... Se eu não
enlouquecesse completamente naquela noite, isso nunca mais aconteceria. De certa forma as
dúvidas e inseguranças tinham ficado para trás; naquele momento só nós dois existíamos. Eu,
deitada ali, com as mãos firmes e geladas dele escorregando pelo meu corpo todo, me
esforçando como nunca para cumprir a promessa de relaxar, entre os arrepios, calafrios e
espasmos que me ameaçavam cada vez que ele chegava perto de algum ponto mais sensível, e
que em determinado momento parecia ser meu corpo todo. Às vezes minha mente perdia a
concentração e eu achava que iria pular em cima dele a qualquer instante, esquecer todo o
resto e consumar aquilo que meu corpo pedia, implorava. A espera, a antecipação, a
expectativa, tudo se condensava em uma dor física que atingia meus pontos mais vitais. Mas
eu me controlei e forcei a mente a se acalmar, e o corpo foi realmente relaxando sob o toque
dos dedos frios, sob o reconhecimento gentil dele de como era meu corpo. Aproveitei o
momento de calma para realmente olhar para ele pela primeira vez em sua plenitude,
ajoelhado ao meu lado. Apesar da falta de luz, um pouco do luar se infiltrava por janelas de
vidro estrategicamente colocadas em vários lugares da casa, e eu podia ter uma visão do corpo
perfeito, dos músculos bem desenhados e rijos, sem uma cicatriz, sem uma imperfeição. O
rosto mostrava a concentração dele em meu próprio corpo, e pela primeira vez não me
envergonhei. Eu pertencia a ele. Era natural que ele estivesse curioso... Mais até do que eu.
Quando ele retirou a pulseira do meu braço eu me perguntei o que ele pretendia dizer com
aquele gesto, mas a curiosidade foi suplantada por uma certeza; não importava nada do que eu
havia sentido por Jacob no passado; naquele momento eu era completamente dele, e nada
mais poderia me afastar do agora e de toda a sua imensidão. Eu sempre pertenci a Edward
Cullen, e pertenceria para sempre. Aquela noite era apenas uma confirmação disso.
Quando ele me carregou para o quarto, pediu que fechasse os olhos; obedeci. Senti, ao chegar,
que o quarto tinha um pouco de claridade, ele devia ter ligado alguma luz. Edward me sentou
delicadamente na cama, e eu senti o calor que emanava do ambiente, como se um aquecedor
estivesse ligado... A falta do corpo frio dele, quando ele se afastou, foi sentida imediatamente;
uma linha fina de suor se formou em minha testa. Ouvi um som discreto de vidro e líquido, e
em poucos segundos ele se sentou ao meu lado, encostando o corpo no meu, aliviando o calor.
“Pode abrir os olhos”, ele disse. Quando eu abri, fiquei sem palavras. O quarto brilhava com
uma infinidade de velas acesas dentro de candelabros de vidro, e o calor que emanava das
pequenas chamas impedia que eu sentisse tanto frio ao lado dele. Ele tinha deixado uma
garrafa de champanhe na mesa de cabeceira ao lado dele, e duas taças cintilavam à luz das
velas, já cheias pela metade. Ele sorria. “Acho que não aproveitamos muito bem nosso brinde
de casamento, Sra. Cullen. Que tal repetir?” Ele me estendeu uma das taças, e segurou a outra.
Seus olhos estavam solenes e brincalhões ao mesmo tempo; como eu amava aquilo!
Malicioso, também. Percebi que seus olhos percorriam meu corpo em relances.
“Acho que seria apropriado”, eu respondi, corando.
Ele inclinou o corpo na minha direção, trazendo a taça perto da minha. E ao que você deseja
brindar, Bella?”
Pensei um pouco, enquanto me deliciava com o hálito doce que emanava dele, melhor do que
qualquer champanhe. “Ao que seria mais óbvio?”, perguntei. Minha voz estava rouca, e eu
senti sede.
“A nós, eternamente.” Ele respondeu como se tivesse lido meus pensamentos. Corei mais
violentamente ao ouvir aquelas palavras finalmente ditas e se transformando em realidade...
Nossas taças se tocaram em um movimento rápido, e eu, como sempre, desastrada, fiz metade
do líquido de minha taça se derramar sobre mim. Fiz menção de me secar com um dos lençóis
da cama, mas Edward me impediu. “Espere. Você sabe que eu não aprecio muito o gosto das
bebidas mesmo... O mais divertido não é o que estou bebendo no momento, mas como,” e deu
um sorriso absolutamente diabólico, antes de se inclinar sobre mim para provar com a língua
as gotas que escorriam por meu corpo. Tive que me segurar para não pular mil vezes com o
toque frio deslizando por mim; sentia o rosto pegando fogo. Quando ele terminou, eu estava
com a respiração totalmente instável, e com certeza estava tendo uma arritmia, porque eu
sentia que às vezes meu coração esquecia de bater. Ele me manteve o tempo todo sentada,
com as pernas entreabertas, para que pudesse ter acesso a todos os lugares por onde o
champanhe escorrera. Não sei como não desmaiei. Talvez tenha desmaiado sem perceber.
Ele se sentou novamente, sorrindo.
“Delicioso. O melhor brinde que eu já fiz. Você tem que tomar o seu”, e então ele encheu
minha taça novamente até a borda, e me entregou. “Beba tudo. Quero ver o que acontece”.
“Como assim?” Perguntei desconfiada. Ele apenas riu, um riso quente. Fiquei quieta esperando
uma resposta.
“Álcool é um inibidor químico. Só que a primeira coisa que ele inibe no organismo humano são
os inibidores naturais, que reprimem vocês. Por isso vocês ficam relaxados e desinibidos
quando bebem. Acho que vai ser bom, afinal eu quero você completamente desinibida. Já que
vamos aproveitar...” E dizendo isso, ele piscou um olho, o rosto transbordando sugestões.
“Ei, eu não costumo beber, você sabe! Posso passar mal...” Tentei escapar da experiência, mas
minha própria voz não tinha muita convicção. Eu estava começando a achar a idéia atraente,
apesar de pensar que gostaria de passar pela experiência o mais sóbria possível...
“Eu cuido de você. Vá, seja uma boa menina. Tome tudo”, e novamente me estendeu a taça.
Dessa vez encarei o desafio, e bebi tudo de uma só vez. O calor do álcool explodiu em minha
garganta, me levando às lágrimas e me fazendo tossir. Que romântico. Onde eu estava com a
cabeça? Nunca bebera assim na minha vida, exceto um ou dois goles em alguma
comemoração. Ele sorriu e encheu a taça de água. Me entregou. Bebi rapidamente, por causa
da sede. Depois ele encheu novamente com mais champanhe. Inspirou profundamente,
sentindo o aroma da bebida.
“É bom”, ele disse. “Mas nem se compara com você. E é melhor quando está derramado na sua
pele. Aí fica quase perfeito”.
“Quase?” Me perguntei em que poderia melhorar.
“É, quase. Só é perfeito quando não tem nada em cima de você para atrapalhar. Mas aí é mais
difícil eu me segurar...” ele disse em tom casual, como se as conseqüências de ele não se
segurar não fossem nada demais. Era intrigante e ao mesmo tempo um pouco assustador
conviver com aquele lado despreocupado de Edward. Afinal, ele era o predador. Ele me
entregou a taça e eu bebi novamente fazendo uma careta. O gosto era amargo e desconhecido,
mas começou a me causar um bem-estar no estômago, e bebi com mais calma e mais devagar
dessa vez. Ele me fez beber mais uma taça cheia, sempre alternando com água.
“Para que tanta água?” Perguntei, curiosa.
“Para não desidratar. É por isso que vocês passam mal quando bebem.”
“Ah”. Parecia fazer sentido, e eu estava mesmo com sede. Aos poucos senti a cabeça leve, e um
calor com formigamentos se estendendo sobre minha pele. Senti o quarto rodar um pouco, e
vontade de rir. Ele me olhava atentamente o tempo todo, sem perder um segundo, às vezes
sorria.
“Edward Cullen, você não precisa disso para me seduzir”, eu protestei, rindo um pouco. A
bebida tinha subido bem rápido em meu corpo inexperiente.
“Eu sei. Mas acho que vai ser interessante”, e dizendo isso ele me deitou de costas na cama,
me ajeitando sobre os travesseiros. Depois se deitou ao meu lado, e me puxou de encontro ao
corpo dele, se colando a mim, a cada curva. Ficamos os dois com os corpos entrelaçados,
deitados de lado. Minha respiração falhou, e eu puxei o ar com força. Ele passeou uma das
mãos com preguiça pelas minhas costas.
“Nervosa?” Ele perguntou, impassível.
“Um pouco”, admiti.
“Não fique. Somos feitos um para o outro.” E então ele começou a me beijar, e meu corpo
pegou fogo ainda mais rapidamente. O álcool fazia efeito, e as sensações que ele me causava
se intensificavam. Percebi que deixava minha timidez de lado, e explorei o corpo que tanto me
encantava já com alguma familiaridade, tocando todas as partes dele, traçando as linhas com a
ponta dos dedos, como ele fazia, chegando perto das partes mais escondidas, partes que antes
eu morria só de pensar em tocar. Ele também gemia baixo em algumas passagens, e em uma
ou duas vezes disse meu nome com a voz rouca, quase inaudível, não mais do que um
sussurro. Em poucos minutos, estávamos os dois ofegando. Quebrei o beijo que ele me dava
para buscar ar. Ele se apoiou em um dos braços e ficou me observando, enquanto os dedos
passeavam por minha barriga.
“Você fica linda assim, sabia? Me pergunto se consegue ficar mais linda do que isso... Mas
pretendo descobrir.”
“Ah é? Como?” Perguntei, antes que pudesse compreender o que estava por trás das palavras
dele.
“Observando seus olhos e seu rosto quando eu estiver dentro de você”, ele respondeu,
tranqüilo, como se estivesse me dando bom dia.
Engoli em seco. Observei como meu peito subia e descia com a respiração acelerada, meu
pulso parecia um tambor. Sentia a testa suada apesar do corpo frio dele, que já não me
incomodava. Eu estava com medo do desconhecido, mas meu corpo inteiro pulsava pedindo
por aquilo. Ele me tocava como se tocasse um piano, extraindo de mim uma melodia, um
ritmo. Fiquei me perguntando como seria quando estivesse se movendo dentro de mim. De
repente não quis mais esperar. Eu queria saber.
“Acho que está na hora de descobrir, então. Ou você quer esperar mais um pouco?” Eu
perguntei, temerosa da resposta.
“Não, acho que eu não quero mais esperar.” E dizendo isso, ele se ergueu sobre mim e se
deitou sobre meu corpo num movimento perfeito, com cuidado, para que eu me acostumasse
com o frio do corpo dele sobre minha pele quente. Ele me abraçou e enterrou o rosto em meu
pescoço, em meus cabelos, dando pequenas mordidas que me faziam pular de encontro ao
corpo dele buscando, implorando. Eu mal sabia que aquilo era apenas o começo.
[Edward]
Eu só estava calmo por fora. Precisava que ela estivesse calma e tranquila, porque eu não
estava. Havíamos chegado a um ponto meio que sem volta, não havia mais muito a fazer, talvez
pudesse esperar mais um pouco, prepará-la melhor, mas eu não acreditava nisso, eu via em
seus olhos que ela queria aquilo tanto quanto eu, mais, até. Tudo estava indo bem, bem
demais, mas o esforço maior viria agora. Deitei-me sobre ela, para sentir seu corpo todo colado
no meu, e a abracei. Mergulhei o rosto em seu pescoço, em seu cabelo, e senti a fome familiar
chegando novamente, subindo por minha garganta. Ao invés de parar, dei pequenas mordidas
em seu pescoço, como se estivesse me preparando para mordê-la, e ela praticamente saiu de si
com aquilo. Acalmei os pensamentos.
Tinha que estar preparado para o pior, se eu a mordesse de verdade teria que tentar
novamente tirar o veneno de seu organismo, ou prepará-la para a transformação. Tudo estava
mais ou menos ajustado para qualquer possibilidade.
Mas ao invés de aumentar minha fome, as mordidas, que não chegavam sequer a arranhar sua
pele, a acalmaram. Seria o instinto do caçador sendo aplacado? De repente resolvi fazer um
último teste, uma iluminação me atingiu. Vinda do medo, talvez. Ou talvez fosse apenas mais
curiosidade, mais vontade de tê-la completamente. Ela estava suada, corada, um tormento por
toda a parte. “Calma, amor.”
E colei os lábios em seu pescoço, inspirando profundamente, sentido a pulsação do sangue em
suas artérias, me inebriando com seu cheiro doce, tentador, provando o suor da pele, que
lembrava de uma maneira milhares de vezes mais fraca o gosto de seu sangue. Me deixei levar
pela experiência sensorial. Senti mais uma vez a boca cheia de veneno, estava pronto para
devorá-la, para bebê-la até o fim, mas a vontade não era mais tão incontrolável como antes.
Era como se não fosse a primeira vez, e sim uma redescoberta de algo que ficara muito tempo
longe de mim.
Ouvi um suspiro abafado no momento em que todo o seu corpo se contraiu, e depois relaxou.
O cheiro dela se tornou ainda mais intenso, beijei-a para fugir da onda doce e fulminante que
me alcançou. Me apoiei um pouco nos braços para observá-la com curiosidade, e por um
momento fiquei feliz por ela ter insistido tanto em ter essa experiência antes da
transformação. Ela estava me dando um presente único, de sentir o corpo dela tão vivo, em
uma experiência tão unicamente humana. Fiquei feliz também em ter aceitado. Amanhã, caso
algo desse errado, eu poderia voltar a sentir culpa, responsabilidade, irritação comigo mesmo
por ser tão inconseqüente, mas naquele momento tudo que existia era o calor que emanava
dela, o cheiro intenso, a fome sob controle, e o prazer que dávamos um ao outro.
Deitei-me ao seu lado, enquanto a observava, atento. Os olhos fechados, a respiração
entrecortada, o suor formando minúsculas gotas em sua testa, ela estava a cada segundo ainda
mais fascinante. A resistência que eu já tinha contra transformá-la em uma de nós aumentou.
Tanta coisa seria perdida! Ela não tinha consciência da própria perfeição.
“Bella?” Arrisquei chamá-la depois de um tempo; um sussurro. Queria ver seus olhos. Ela virou
o rosto para mim e os abriu. Geralmente de um marrom suave, seus olhos estavam escuros e
fluidos, como ônix líquido; quase não consegui distinguir as pupilas novamente dilatadas das
íris escuras. Seu olhar transbordava de amor, satisfação, surpresa e um pouco de timidez, tudo
misturado numa composição única. Sorri imensamente, devolvendo todos os sentimentos que
ela deixava transparecer... Segurei sua mão. “Está viva ainda?” Perguntei brincando. Ela
espreguiçou os braços como se fosse uma gata.
“Parece que você decidiu me deixar viver mais alguns instantes.”Seus lábios formaram um
sorriso satisfeito.
“Ainda quer que eu continue?” Provoquei, chegando próximo a ela e mordendo de leve o
lóbulo da orelha. Ela pulou novamente, mas a resposta me surpreendeu.
“Não, preciso de um tempo para me recuperar. Ainda tem champanhe?”
Dei uma risada espontânea e estendi o braço para a taça e a bebida que ainda estava fria no
balde de gelo. Enchi a taça, e entreguei em sua mão ainda trêmula. Antes que bebesse,
procurei seus lábios, tocando sua língua com a minha.
Ela bebeu a taça inteira de uma só vez, continuava com sede. Ofereci água na mesma
quantidade, ela aceitou de bom grado. Depois se recostou novamente nos travesseiros, e
acariciei sua testa, tirando as mechas de cabelo que estavam grudadas com suor.
Ela me olhou com um olhar indecifrável. Parecia querer poder ler a minha mente desta vez.
Retribuí o olhar com a mesma intensidade. Estávamos sem palavras.
“Foi uma idéia que tive na última hora. Achei que, se me acostumasse com o seu cheiro,
poderia ser mais fácil. Eu ainda tenho medo, Bella. Não temos garantias.”
Ela olhou para o teto por alguns instantes, depois ficou muito vermelha; me olhou de canto de
olho e eu sorri, não consegui evitar.
“Edward... Não posso reclamar, apesar de ter ficado...” Ela ficou mais vermelha ainda. “Foi uma
das sensações mais absurdamente maravilhosas que eu já senti. Se o resto é ainda melhor... Eu
não sei se vou agüentar”. Ela parecia sincera. Mas eu sabia que era tudo uma questão de
perspectiva. Era estranho estarmos conversando sobre isso; as palavras não eram suficientes
para descrever as coisas, e era um pouco desajeitado. Nós nunca tínhamos conversado sobre
esse assunto abertamente. Era normal que ela ficasse insegura. A falta de experiência ajudava.
Tentei ser o mais sincero possível, baseado em tudo que sabia. “Até onde sei, vai ser diferente.
Mas não posso dizer como, cada um tem um corpo, uma forma de sentir”.
Ela sorriu. “Eu te amo”.A voz era linda. Obrigada por ter decidido vir para cá comigo.”
“Não agradeça ainda. Ainda não acabou”.E minha voz se tornou novamente maliciosa. “E por
falar nisso, eu não aproveitei tanto quanto você. O que vai fazer para consertar isso?”.
O sorriso voltou a seus lábios. “Bem”, ela respondeu, os olhos brilhando. “Acho que aprendi
uma ou duas coisas nas últimas horas. Vamos ver o que consigo fazer por você”.
[Bella]
Meu coração acelerou novamente. A sensação de poder causar nele sensações remotamente
parecidas com as que ele me causava era viciante; eu não conseguia pensar em parar. Queria
que aquela noite durasse para sempre. Mais uma vez não consegui acreditar que ele estava ali,
que era meu, que me amava, e que estava gostando tanto de estar ali como eu. Só que desta
vez a descrença era menor, e em parte substituída por uma necessidade de satisfazê-lo; eu
conseguia ler em seu rosto e em sua voz como ele estava apreciando tudo aquilo. Era meu
dever retribuir tudo que ele me dera.
Mas não era simples; a timidez me atacava em ondas que iam e voltavam. Depois de um
tempo, eu só conseguia sentir as ondas de prazer que subiam daquele ponto e se espalhavam
para todo o resto do meu corpo. Minhas mãos estavam subitamente soltas, latejando, e me
tornei puro instinto. Eu não conseguia acreditar que ele nunca tinha feito aquilo antes. Uma
dúvida me atravessou, será que ele tinha mentido para mim? Mas depois relaxei; ele não teria
porque, e eu sempre acreditei que ele poderia fazer qualquer coisa melhor do que qualquer
humano fosse na primeira vez ou na última. Ele era apenas perfeito demais. Assustadoramente
perfeito. Quando tudo terminou – e na verdade não tinha terminado, cada pausa era o
prenúncio de algo cada vez mais enlouquecedor – a vergonha voltou com mais força e eu tive
que me controlar para conseguir olhar para ele. Mas seu olhar desmanchou minha timidez, e
consegui conversar de forma minimamente adequada. E agora, aquele desafio. Como eu
conseguiria causar nele as mesmas coisas que ele me causara? Eu não tinha coragem nem de
longe de fazer o mesmo que ele tinha feito comigo; só de pensar e meu cérebro tinha
espasmos. Além disso, as sensações seriam as mesmas para ele? Ele reagira bastante quando
estávamos na água; a verdade é que eu ainda não entendia muito bem como funcionava para
mim, quanto mais para um vampiro. Inclusive fiquei durante um tempo tentando imaginar
como acontecia, já que ele não estava, bem, tecnicamente, vivo, do jeito convencional. Mas a
dúvida se desfez nas últimas horas, quando vi que o corpo dele respondia aos meus estímulos
de forma muito conveniente. Algum dia talvez eu tivesse coragem de perguntar. Hoje não.
Fiz então o que me pareceu mais certo: parei de pensar, e fiz apenas o que meu corpo tinha
vontade. Voltei a beijá-lo devagar, explorando cada centímetro dos lábios gelados, sentindo
que ele estremecia em contato com meu calor.
Ao mesmo tempo deslizei a mão por seu corpo; fazendo um caminho parecido com o que ele
fizera comigo no chuveiro; nos deitamos lado a lado e enquanto o beijava explorei as costas, o
peito, os braços, quadris, ora com as palmas das mãos, ora com a ponta dos dedos. Minhas
unhas estavam bem curtas, desejei que estivessem mais compridas, mas depois lembrei que
provavelmente ele não sentiria mesmo. Era um dos inconvenientes de ter um namorado
vampiro. Mas a sensibilidade dele para outras coisas, principalmente o contato da minha pele,
parecia compensar aquela falta. Me lembrei da primeira vez que nos tocamos mais
prolongadamente na clareira, do primeiro beijo que ele me deu, em como ele tinha sido
esquivo e reservado; em como tinha se afastado rapidamente do contato, como se eu o
queimasse. Agora era parecido, mas ele se permitia queimar, buscava o calor, a intensidade. Eu
me sentia nas nuvens.
Me afastei um pouco dele, me sentando próxima a seus pés. Ele permanecia de olhos
fechados, a expressão entregue, como se estivesse em outro mundo, do mesmo jeito que eu
havia estado; não percebi quando ele abriu os olhos. Em determinado momento olhei para seu
rosto – como eu gostava da expressão que ele fazia! – e percebi que estava me encarando, os
olhos escuros, a respiração curta e rápida, eu não cansava de me surpreender com suas
reações, tão humanas, e ao mesmo tempo diferentes. Notei também em seu olhar expectativa;
aquilo me intimidou um pouco, era tudo tão novo, acontecera tão rápido, ontem ele mal me
beijava e hoje conhecia meu corpo praticamente todo!. Senti o sangue do corpo todo ir para o
rosto, minha mão tremeu, mas respirei fundo e continuei. Me deitei ao lado dele, sem soltá-lo,
e voltei a procurar seus lábios com os meus. Percebi que ele estava se controlando para não
reagir plenamente, eu já conhecia bem a linha que se formava em seus lábios e a postura
tensa. Senti um pouco de medo.
Agora eu me sentia realmente brincando com fogo, as recomendações e precauções dele se
tornavam mais reais. Percebi em um determinado momento que meus movimentos estavam
sincronizados com sua respiração, e com a intensidade do beijo. Senti meu corpo voltar a
responder ao dele e a suas reações, a reacender lentamente, e furiosamente. O calor de meu
corpo contrastava com o frio dele; o calor do ar e de minha respiração pareciam transtorná-lo
numa tortura lenta e crescente. Eu podia sentir, mais do que qualquer coisa, a fome que ele
sentia, em sua postura, em seu rosto, em seus olhos que se abriam e fechavam como em um
delírio de febre. E inesperadamente, num movimento rápido, ele se desvencilhou de minhas
mãos, rolou para cima de mim, separando minhas pernas com as dele, e nossos corpos se
encaixaram. Minha reação inicial foi de protesto, de susto, mas ele a sufocou com um aperto
selvagem, enquanto deslizava devagar para dentro de mim em um movimento forte do quadril,
provocando uma dor aguda onde antes só houvera prazer, misturada com uma sensação
completamente nova de ânsia. O protesto de dor foi sufocado também por seus lábios, que
morderam os meus, enquanto ele se movia novamente, causando uma segunda onda de dor,
essa mais leve, enquanto a ânsia crescia. Ele percebeu minha agonia, e ficou imóvel, sobre
mim, dentro de mim, esperando. A respiração dele estava acelerada de uma forma que eu
jamais vira, e agora meu medo era absoluto. E se ele não conseguisse se controlar?
Mas de alguma forma ele conseguiu, e sua respiração foi desacelerando aos poucos, enquanto
ele permanecia imóvel. Depois de um tempo que não consegui precisar, ele voltou a se mover.
E então eu já quase não sentia dor. Foi quando ele ergueu a cabeça para me olhar, e eu desejei
que a noite estivesse apenas começando.
[Edward]
Quando nós perdemos o controle, tudo fica vermelho. Tudo vira um infinito de instinto e
sensações. Frio, calor, fome, sede, barulho, cheiros, raiva, defesa, ataque, fuga. Qualquer coisa
que não esteja entre estas coisas vira um emaranhado de borrões indistintos, e nós ficamos
temporariamente incapazes de pensar; a ação e a emoção predominam sobre todas as outras
coisas. O raciocínio coerente se esvai, dando lugar à fera que espreita o tempo todo por baixo
da superfície civilizada, querendo satisfazer suas necessidades, até conseguir satisfazê-las.
Naquela circunstância não foi um sentimento conhecido e comum que me tirou o controle. Foi
algo com o qual eu não estava acostumado a lidar, e que vinha tentando negar
sistematicamente nos últimos meses, desde que os momentos a sós com Bella tinham se
tornado uma constante: o desejo por ela. Desde que eu a conhecera e descobrira que ela
correspondia aos meus sentimentos que eu lutava o tempo inteiro contra a vontade de tocá-la,
de sentir meus lábios sobre sua pele. Mas com o passar do tempo, quando eu finalmente
aceitara sua presença em minha vida e passara a procurar, aceitar, não temer seu toque, aquilo
já não era suficiente para saciar a vontade de tê-la inteiramente. Era sempre com muito esforço
que eu me afastava, sempre com uma dor física quase insuportável. Nesses momentos eu tinha
medo da reação do meu corpo, que agia de formas inesperadas. Ela sofria muito com aquelas
rejeições, mas eu não podia me deixar levar, simplesmente não confiava em mim o suficiente.
Já tinha sido bastante difícil segurar todos os impulsos que haviam me assolado naquela noite,
quando eu tomava a maior parte das iniciativas, tentando manter a situação sob controle
minimamente, e nisso sua timidez me ajudava. Porém quando ela assumiu o controle eu pude
apenas me deixar levar pelo seu toque, e torcer para que eu fosse mesmo merecedor de toda
aquela confiança. Era tudo tão novo que não sabia descrever com palavras. Mas era como a
maré subindo; onda, fluxo e refluxo, sempre inundado de calor; a cada ir e voltar subindo mais
longe, chegando mais perto de algo ainda indefinido, mas sentindo que o algo aumentava a
cada retorno, a cada onda, numa espiral crescente de agonia e de prazer. Senti o cheiro sempre
avassalador de seu sangue, mas ele não causou em mim o efeito que eu temia. De alguma
forma o desejo superava a fome, e eu só conseguia continuar o que estava fazendo, invadindo
seu corpo repetidas vezes, como se estivesse marcando minha presença dentro dela, tornandoa
realmente minha.
Entrelacei minhas mãos nas dela, segurando-a firme contra a cama, e experimentei mudar um
pouco o peso e a forma com que eu me movia; testando os movimentos com cuidado para não
machucá-la. Ela se ajustou a mim prontamente, apertando minhas mãos com força. Eu ainda
estava envergonhado pela minha falta de controle, e por ter perdido aquele momento inicial
mergulhado em desejo, e prolonguei aquele primeiro reconhecimento dela, ouvindo o ritmo
de seu coração, de sua respiração, sentindo as mudanças no seu cheiro, que se misturava com
o meu.
Depois de alguns momentos imerso em meus pensamentos e descobertas, procurei seus olhos.
E encontrei coisas que nunca havia visto antes. Como se ela tivesse envelhecido, amadurecido
apenas naquele contato, naquela invasão. Agora ela era minha mulher, e se sentia assim. O
sentimento de pertencer a alguém plenamente a transformara de alguma forma que eu não
compreendia, e talvez esse fosse um mistério reservado apenas às mulheres, do qual até então
eu nunca fizera parte, e talvez nunca compreendesse plenamente. Ela gemeu baixo enquanto
eu explorava devagar as melhores formas de me encaixar nela, alternando velocidade, força,
ritmo, e eu senti uma explosão em meu peito, uma alegria misturada com paixão que beirava a
insanidade. Ela era minha, completamente. Era minha companheira, viajava comigo naquela
loucura, e estávamos ambos inteiros, até agora. Muito melhor do que eu previra. Depois de
saciar a curiosidade inicial – e eu ficava olhando para ela, prestando atenção em suas reações,
e ela ainda conseguia ficar ruborizada – comecei a misturar estímulos, sem me separar dela,
com os lábios e as mãos passeando por todo o seu corpo, por todos os pontos sensíveis, e
rapidamente os gemidos baixos se tornaram altos, e em alguns momentos gritos de surpresa,
quando eu fazia algo de inesperado. Eu me guiava por seus gemidos e suas respostas, as
batidas do coração, o ritmo da respiração, e ia navegando num mar estranho e desconhecido,
sem uma direção única a seguir, flutuando ao sabor das ondas, me deixando levar pela maré.
Percebi que em alguns momentos ela parecia prestes a dizer alguma coisa, e depois mudava de
idéia. Eu ficava mordido de curiosidade, triplamente mortificado por não conseguir acessar
seus pensamentos, porém não tinha coragem de quebrar o encanto do momento com
perguntas ou palavras. Palavras eram desnecessárias. Meu corpo dizia tudo, e o dela
respondia, numa dança lenta, hipnótica, antiga como o mundo. Aqui ela não era nem um
pouco desajeitada; era uma amante habilidosa e natural. Eu percebia isso pela forma com que
ela se abandonava ao instinto, sem cálculos, sem complicações, uma vez superada a maior
parte da vergonha.
Quando percebia que ela estava excitada demais eu diminuía os movimentos até parar,
deixando que ela se controlasse. Os protestos que ela fazia quando eu parava só aumentavam
meu desejo de prolongar tudo, sabendo que quando ela atingisse o clímax novamente ele viria
com muito mais força. Tentei ajustar o ritmo dela ao meu, conduzindo com paciência seu corpo
em chamas, mas era difícil; ela se abandonava com mais ímpeto, e às vezes eu tinha que
chamá-la em voz baixa, acalmá-la, trazê-la de volta ao meu ritmo. “Comigo, Bella, não contra
mim”, sussurrei em seu ouvido quando ela se moveu freneticamente contra meu corpo para
alcançar a satisfação que eu estava lhe negando. Ela ofegou e abriu os olhos, mostrando mais
uma vez aquela coloração escura que denunciava a extensão de seu desejo. Ela me abraçou
com força e retribuí o abraço, ao mesmo tempo em que separava meu corpo do dela, e a virava
de costas para mim, de lado, para mais uma vez preenchê-la, e retomar a exploração.
Não sei como consegui prolongar aquilo por tantas vezes; sabia que era uma tortura para ela,
bem como para mim, mas o controle vinha fácil nos momentos em que ela beirava o êxtase, e
se esvaía nas horas em que eu me aproximava. Nessas horas eu me esquecia quem era, e
existia apenas o meu corpo entrando e saindo do dela, seu cheiro, seu hálito, seu sabor, sua
pele contra a minha, o calor que dela emanava continuamente, apagando o frio do meu corpo.
Algumas vezes, quando eu voltava desses estados de ausência, tinha que me certificar de que
não a havia mordido ou machucado sem perceber, e ela estava sempre inteira, linda, com a
expressão transtornada de prazer, os olhos fechados, como se estivesse também em outro
mundo secreto, os lábios inchados pelas mordidas que eu lhe dava. Fui adquirindo confiança, e
me deixando levar por mais vezes, permitindo que o caçador que eu era se revelasse. Minha
natureza não precisava mais ser negada, eu estava fazendo exatamente o que meu instinto
exigia. A expressão “brincar com a comida” passou rapidamente pela minha mente, me
provocando um sorriso involuntário. Não deixava de ser uma forma de ver a situação, por
menos romântico que fosse. E de certa forma era uma caçada, mas o objetivo final não era
alimento e não precisava terminar em morte. Perdi a noção do tempo e de tudo que fiz
enquanto ia aprendendo com ela o que era a satisfação que eu tanto buscara. Só sei que nos
deixamos levar pela vontade dos corpos, provando, descobrindo novas formas de encaixe,
novas sensações. Por mais duas vezes eu me aproximei do descontrole, quando cheguei muito
próximo do êxtase, e na terceira vez tudo se apagou, quando a onda enfim chegou ao limite
mais rápido do que eu previa e quebrou numa nuvem de espasmos do meu corpo sobre o dela,
e eu me senti esvaziar, rápido e devagar, pulsando, até que eu não era mais Edward Cullen, eu
era apenas um ponto suspenso num mar feito do cheiro e do calor dela. Eu estava vivo
novamente. Não havia mais frio, nem poderes sobrenaturais, nem fome de sangue. Eu não era
mais o predador, eu apenas existia, simplesmente, e era feito inteiramente de eletricidade. Eu
não sabia como ela estava, se tinha chegado ao mesmo ponto junto comigo, se estava inteira
ou em pedaços devido à força de meu abraço, de minhas mãos apertando suas costas, seus
braços, mas também não conseguia pensar. Havia apenas o bem-estar. Pela primeira vez desde
que me tornara um vampiro eu apaguei tudo. Minha mente não existia. A inconsciência se
abateu sobre mim, e se eu tivesse um coração batendo acredito que ele pararia por alguns
instantes, enquanto tudo estava suspenso. Depois houve apenas paz.
Voltei um pouco assustado, como quem acorda de um sono leve, as percepções voltando todas
ao mesmo tempo, pouca luz, as velas derretidas nos candelabros, algumas já apagadas, o
cheiro intoxicante de suor e sexo que vinha de Bella, os barulhos da noite, o calor do ar da ilha,
o calor do corpo dela, os lençóis um pouco úmidos embaixo do meu corpo, as pontas dos meus
dedos formigando, o pulsar estável de seu coração, a respiração rítmica e tranquila. Ela estava
me olhando, serena, os olhos novamente cor de chocolate, com a expressão um pouco
cansada. Ela ergueu a mão em um movimento suave e passou pela minha testa, e sorriu
levemente. Quando ela falou, sua voz traía a exaustão, mas o sorriso em seu rosto apagava
todo o resto.
“E você querendo me negar isso tudo...?” Havia brincadeira e provocação na voz, e um pouco
de censura.
Abracei-a de leve, colocando seu rosto em meu peito, aninhando o corpo dela junto ao meu.
“Bella... Você sabe que eu não podia ter certeza. Não vamos começar com isso de novo.”
“Desculpe, Edward.” Notei o tom constrangido de sua voz e a apertei com mais força. “Era uma
espécie de brincadeira.”
“Eu sei, meu amor. Mas você realmente não devia brincar tanto com essas coisas assim.” Não
consegui evitar o escorregar de minha mão por suas costas. Na verdade eu não queria evitar,
mas queria dar tempo para ela se recuperar de tantas coisas. Ela se contraiu toda sob meu
toque.
“Alguma coisa errada?” Virei seu rosto para mim, procurando um sinal de algo errado. Já estava
começando a ficar tenso novamente.
Ela ficou vermelha. Muito vermelha. De novo. Não entendi muito bem o porquê. Ela estava
envergonhada do que havíamos feito, ainda? De quantas maneiras ela ainda conseguiria me
surpreender?
“Não, nada errado... É que...” A vermelhidão conseguiu se intensificar ainda mais. “Você parou
e eu ainda não tinha... Você me fez perder o ritmo e eu...” Ela não conseguiu terminar a frase,
mordendo o lábio, lindamente envergonhada, os olhos baixos.
“Por isso que você reagiu assim quando eu toquei suas costas?” Eu ia descobrindo como o
corpo dela funcionava, maravilhado.
Ela acenou com a cabeça. Eu fiz com que ela virasse na cama, deixando as costas ao meu
alcance. Percebi a tensão dos músculos quando a toquei, mesmo de leve. Um sorriso veio
involuntariamente a meus lábios. Então ela ainda estava com milhares de estímulos agindo
sobre seu corpo, condensados. Eu não conseguiria dizer, pela calma que emanava dela.
Acariciei suas costas com a ponta dos dedos, começando no centro e subindo até a nuca, por
sob o cabelo desalinhado. Agora que eu estava mais controlado, era maravilhoso poder
observar as reações instantâneas que meu toque causava nela inteira, cada músculo que se
contraía, cada arrepio na pele. Desci com os dedos, tocando-a de leve, despertando
novamente seu corpo, e sentindo que o meu respondia da mesma forma. Fiquei surpreso com
a facilidade com que o desejo renascia e tive certeza que eu nunca me cansaria dela. Quando
ela estava mais uma vez ardendo, me deitei de costas e puxei seu corpo sobre o meu, me
encaixando dentro dela num movimento súbito e inesperado. Minha boca estava sobre a dela,
e abafou um gemido alto, ao mesmo tempo em que ela buscava ar. Gostei do acesso que tinha
ao seu corpo, e aproveitei o melhor que pude, provocando, tocando, buscando dar a ela a
mesma satisfação que eu atingira antes.
Dessa vez não prolonguei os movimentos, atingindo um crescendo rápido e sustentado,
sempre guiado por suas respostas às minhas iniciativas. Em um determinado momento, no
entanto, não consegui continuar, e parei novamente. Estava curioso. Queria descobrir o que ela
queria, seguir o ritmo dela e não o meu. Fiquei imóvel sob seu corpo, e ela gemeu novamente
em frustração. Senti seus punhos se baterem contra meu peito sólido, depois ela me abraçou
forte, e começou a se mover contra mim, primeiro de forma hesitante, depois com mais
desenvoltura, retomando o ritmo que eu havia desfeito, porém de forma mais errática,
irregular, como se obedecesse a algum comando invisível que regulava sua velocidade, seu
tempo. Em meus pensamentos seu ritmo virava uma melodia deliciosa e irreproduzível.
Quando senti que ela estava à beira do êxtase, segurei seu corpo mais uma vez, parando seus
movimentos. Ela deixou escapar entre os dentes um gemido baixo de protesto, mas antes que
ela pudesse reagir eu girei o corpo, imprensando o dela sob o meu mais uma vez, e acelerei o
ritmo, sentindo que eu também estava mais perto de explodir novamente do que havia
percebido. Coordenei meus movimentos com os dela, e em poucos segundos estávamos
ambos ofegando, eu escutava sua pulsação subindo cada vez mais rápido, e seu corpo se
contraindo. Já estava familiarizado com os prenúncios que seu corpo mostrava, e dessa vez não
parei mais. Ela gemeu cada vez mais rápido contra meu pescoço, e eu senti, no momento que
ela alcançou o ponto mais alto, seu coração perder uma batida. Depois disso ela era pura
pulsação ao meu redor, me apertando, e eu quase conseguia sentir a eletricidade correr por
seu corpo e chegar ao meu. Minha própria consciência estava oscilando, e antes que tudo se
apagasse mais uma vez – e o prazer dela sempre alimentava o meu duplamente – eu chamei
seu nome. Ela abriu os olhos, e pude ver o momento de abandono total que ela atingira, um
pouco antes de eu afundar mais uma vez no escuro de seu corpo, e de sua imensidão.
[Bella]
Acordei algumas vezes naquela noite, ou seria consegui dormir algumas vezes naquela noite?
Os sonhos vinham rapidamente, com o sono ainda leve, sempre com ele, sempre com seu
corpo, sempre com as sensações que eu estava descobrindo devagar. Se eu pudesse ficar
vermelha em sonhos, com certeza ficaria, e talvez tivesse ficado na vida real, e talvez ele
estivesse vendo, porque nos meus sonhos eu não tinha reservas, e me abandonava em seus
braços sem uma gota de timidez. Mas acordei algumas vezes naquela noite, sempre para sentir
que nós estávamos novamente em chamas, seu corpo sempre pronto contra o meu, que por
sua vez sempre o recebia sem reservas, e igualmente disposto. Eu não me cansava de estar
com ele daquela forma, e ele não parecia cansado tampouco. Algumas vezes eu não sabia dizer
se era sonho ou realidade, ou ambas as coisas. Sei apenas que parecíamos nos esforçar para
matar toda a sede que tínhamos um do outro há tantos meses, como se o amanhecer pudesse
trazer algo diferente, uma outra realidade que pudesse negar o que estava acontecendo. A
noite conspirava a nosso favor, fazia a magia daquele momento se estender, perdurar. A noite
abrigava aquele amor errado e certo, aquele atentado à racionalidade. A noite nos pertencia.
Em alguns momentos eu percebia tudo nitidamente. Os olhos haviam se acostumado à
escuridão, e a lua descera até perto do mar, e entrava pela janela, deixando tudo branco. As
velas já haviam se apagado há muito tempo, mas eu não sentia frio; meu corpo estava um
pouco entorpecido pelo prazer, incapaz de sentir qualquer outra coisa que não fosse ele, seus
lábios, mãos, dedos, pele. Eu mergulhava o olhar no dele, e subíamos mais uma vez aquele
caminho em espiral que nos levava até o céu. E quando voltávamos para a terra começávamos
tudo de novo.
Em outros momentos as coisas ficavam embaçadas, geralmente quando ele me arrancava do
sono com delicadeza, sempre doce, sempre gentil - a princípio. Com o passar dos minutos ele
ia se tornando mais selvagem, mais intenso, e eu comecei a ficar à vontade com o predador
que ele era, sabendo que eu podia ser sua presa eternamente, voluntariamente, e talvez aquilo
o saciasse. E percebi, em um determinado momento, que eu não queria mais me tornar um
vampiro; eu queria permanecer exatamente daquele jeito, sendo o calor que ele não podia
mais encontrar de outras formas a não ser no sangue, vendo sua expressão transtornada de
prazer e alegria.
Não havia vida para mim longe de Edward. Eu aprendera isso na carne, em um tempo que
agora parecia distante demais para ter algum significado. O agora era muito diferente. E eu
queria prolongar aquilo enquanto eu pudesse. Meu corpo estava cansado, dolorido, eu teria
algumas marcas pela manhã, sentira momentos curtos de dor, mas tudo aquilo virava nada
quando comparado com o tudo que tínhamos alcançado naquela noite. Foi com essa certeza e
determinação que adormeci, já ouvindo alguns pássaros ao longe, anunciando a chegada
iminente do sol. Ainda estava tudo escuro, mas eu podia sentir a mudança no ar, meu corpo
estava muito consciente de tudo. Ele despertara, enfim. Antes de adormecer, pude ouvir que
Edward sussurrava minha música baixinho, acariciando meus cabelos, e me mandando dormir.
[Edward]
Quando o sol nasceu eu estava do lado de fora da casa, olhando o mar. Bella estava
profundamente adormecida, o coração batendo devagar, no ritmo da respiração suave. Tudo
ao meu redor saía lentamente de seu estado letárgico. O barulho das pequenas ondas exercia
um efeito calmante sobre minha mente, e eu me esforçava para não ceder à agitação que
tomava conta de mim. Havia coisas que eu precisava encarar, mas não precisava ser agora.
Agora tudo que eu queria era aproveitar o resto da noite que ia embora, antes de voltar a ser o
Edward que eu aprendera a ser ao longo dos anos.
Entrei no mar lentamente, deixando a água envolver meu corpo ao mesmo tempo em que
lavava de mim o cheiro de Isabella Cullen. Aquilo me causou alívio e dor ao mesmo tempo. Era
um alívio poder respirar de novo sem reservas, sem restrições, sem tanta fome. Mas ao mesmo
tempo em que a água carregava seu cheiro com ela, eu já pensava em voltar para a cama e me
deitar ao lado dela, e vigiar seu sono, e tocá-la. Era um vício impossível de resistir por muito
tempo. Olhei para o passado, em como havia sido no início de nosso relacionamento, em como
eu não conseguia passar muito tempo longe dela, longe do pensamento nela. Agora era muito
pior.
Mergulhei na água quente e nadei por um longo tempo, ainda me recusando a encarar as
coisas que eu precisava encarar. Naquele momento eu não queria pensar em tudo que tinha
acontecido. Aquilo ia me destruir lentamente se eu não tomasse cuidado: culpa, remorso, eu
não sabia como lidar com esses sentimentos que eram já antigos, mas agora renovados.
Porque era ela que estava em jogo ali. Quando voltei me sentei um pouco na areia, deixando os
raios ainda fracos do sol banharem minha pele, eu me via cintilar fracamente, pálido. Não
conseguia ouvir um único pensamento humano por perto. Eu estava completamente sozinho
com Bella. E eu...
Balancei a cabeça, deixando as lembranças voltarem mais um vez à superfície, escolhendo com
calma a ordem e a intensidade do retorno. Eu precisava compreender o que havia acontecido
antes de descer ao inferno novamente. Antes que a necessidade irracional de me afastar dela
mais uma vez me dominasse e eu fugisse sem olhar para trás. Eu não a merecia. Não merecia
aquela entrega, não havia merecido aquela noite. Ela não podia confiar em mim. Nem eu.
Não me lembro exatamente como aconteceu, só me lembro de estar alternando estados de
consciência e inconsciência – e essa era a primeira vez que aquilo me acontecia dessa forma.
Eu não dormia, não sonhava, mas a experiência física com ela havia aberto para mim novos
estados de consciência. Tanto uma consciência mais exacerbada como algo próximo da
inconsciência. E foi num desses estados que me aproximei dela mais uma vez enquanto ela
dormia, meu corpo queimando de fome e aflição, incapaz de se saciar, com a vontade cada vez
maior de tê-la de novo. Eu abracei seu corpo com o meu, ela estava deitada de costas para
mim, profundamente adormecida. O cheiro que vinha dela me queimava lentamente a
garganta, o estômago, os olhos, tudo ardia. Entendi naquele momento que enquanto Bella
estivesse viva eu sempre teria que conviver com a fome. E que quanto mais tempo eu ficasse
com ela daquela forma tão próxima, mais difícil seria de lidar com ela. Eu estivera errado em
achar que poderia me acostumar. A fome e o amor andavam de mãos dadas. Eram
indissociáveis. Ambos eram parte de mim; eu era instinto, razão, emoção e não podia negar
minha essência. Olhei impotente enquanto me aproximava de seu pescoço macio em câmera
lenta, meio hesitante, meio incapaz de parar. Quando voltei me sentei um pouco na areia,
deixando os raios ainda fracos do sol banharem minha pele, eu me via cintilar fracamente,
pálido. Não conseguia ouvir um único pensamento humano por perto. Eu estava
completamente sozinho com Bella. E eu...
Balancei a cabeça, deixando as lembranças voltarem mais um vez à superfície, escolhendo com
calma a ordem e a intensidade do retorno. Eu precisava compreender o que havia acontecido
antes de descer ao inferno novamente. Antes que a necessidade irracional de me afastar dela
mais uma vez me dominasse e eu fugisse sem olhar para trás. Eu não a merecia. Não merecia
aquela entrega, não havia merecido aquela noite. Ela não podia confiar em mim. Nem eu.
Não me lembro exatamente como aconteceu, só me lembro de estar alternando estados de
consciência e inconsciência – e essa era a primeira vez que aquilo me acontecia dessa forma.
Eu não dormia, não sonhava, mas a experiência física com ela havia aberto para mim novos
estados de consciência. Tanto uma consciência mais exacerbada como algo próximo da
inconsciência. E foi num desses estados que me aproximei dela mais uma vez enquanto ela
dormia, meu corpo queimando de fome e aflição, incapaz de se saciar, com a vontade cada vez
maior de tê-la de novo. Eu abracei seu corpo com o meu, ela estava deitada de costas para
mim, profundamente adormecida. O cheiro que vinha dela me queimava lentamente a
garganta, o estômago, os olhos, tudo ardia. Entendi naquele momento que enquanto Bella
estivesse viva eu sempre teria que conviver com a fome. E que quanto mais tempo eu ficasse
com ela daquela forma tão próxima, mais difícil seria de lidar com ela. Eu estivera errado em
achar que poderia me acostumar. A fome e o amor andavam de mãos dadas. Eram
indissociáveis. Ambos eram parte de mim; eu era instinto, razão, emoção e não podia negar
minha essência. Olhei impotente enquanto me aproximava de seu pescoço macio em câmera
lenta, meio hesitante, meio incapaz de parar. Eu a queria com o corpo, com a alma, mas eu
queria mais, como uma mariposa eternamente arrastada para a luz, contra sua vontade. Minha
boca estava seca, mas o veneno começou a escorrer lentamente das presas, enquanto eu me
colava a ela, hipnotizado. Meus olhos perceberam uma artéria pulsando no pescoço, e
aproximei meu rosto do local, deitando minha cabeça próxima a seu ombro. Ela se mexeu
durante o sono, gemendo. O som não me incomodou nem foi suficiente para me tirar do
transe. Eu queria provar seu sangue novamente.
Foi fácil romper a pele do ombro com delicadeza com uma mordida leve, com cuidado, para
não contaminar seu organismo. O sangue brotou em pequenas gotas, e eu inspirei
profundamente, sentindo o perfume contra o qual eu lutara infinitas vezes me invadindo com a
força de um sol. O que eu estava fazendo? Milhões de vozes gritaram dentro de minha mente,
mas eu as ignorei, e toquei as gotas com a língua, a princípio gentilmente. Ela se mexeu mais
uma vez, e gemeu meu nome. Que sensação ela teria? Mas ela não podia acordar. O que eu
estava fazendo? Porque eu tinha concordado com aquilo? Bella despertara tudo aquilo que eu
refreava em mim. Tudo.
Com ela eu me tornava completo.
O que aconteceu depois está envolto em uma névoa avermelhada. Não tentei forçar as
memórias a voltarem; sei apenas que depois de um tempo bebendo dela vagarosamente eu
me vi mais uma vez dentro dela, com as duas coisas acontecendo simultaneamente. O fluxo de
sangue cessou, e a ferida mal aparecia em sua pele. Eu não senti a necessidade atroz de
continuar como da outra vez, em que havia tomado uma quantidade ainda maior de seu
sangue contaminado. Desta vez seu sabor era puro, rico e matizado por todas as mudanças que
eu havia causado nela. Nem de longe parecido com o que eu imaginava, porque era
infinitamente melhor, mais saboroso, mais intenso... E ela havia me preenchido. Ao mesmo
tempo em que eu queimava de raiva por mim mesmo, de angústia, de apreensão... Aquele
tinha sido o momento mais belo de toda a minha existência. O problema não foi exatamente o
fato de eu não ter conseguido me controlar o suficiente para evitar o que tinha feito. O
problema era que não havia acontecido de verdade. Eu havia sonhado. Só percebi isso quando
as coisas voltaram ao foco e eu percebi que sequer havia tocado em Bella enquanto todas
essas coisas aconteciam apenas em minha mente. Fiquei horrorizado quando descobri. Não
podia distinguir de maneira alguma o que era real do que era imaginário. E se isso tinha
acontecido por causa da libertação que havia sido aquela noite, ela jamais poderia se repetir.
Eu não podia me permitir. Talvez o desejo de beber seu sangue falasse mais forte e eu
acordasse com ela morta em meus braços. E minha vida perderia todo o sentido.
Eu não era confiável.
Deixei os sentimentos me queimarem enquanto o sol subia. Enquanto eu lutava pacientemente
contra a raiva e a culpa. No final, venci a batalha, por muito pouco. Resolvi que merecia aquilo.
Que tudo tinha dado certo. E que eu não permitiria que ela soubesse. E que eu não me
permitiria nunca mais tocá-la daquela forma enquanto não fosse seguro. Enquanto ela fosse
tão frágil. Eu nunca mais a colocaria em risco de novo.
Sim, eu podia fazer isso.
O sol estava mais alto. O coração e a respiração de Bella começaram a sair do padrão lento, e a
acelerar levemente, o que significava que ela ia acordar em breve. Voltei para a casa, tomei um
banho, e me deitei novamente ao lado dela. Tentei evitar olhá-la por enquanto. Isso só tornaria
mais difícil sustentar minha decisão. Ela não precisava saber o porque, mas com certeza iria
exigir uma resposta que fosse razoavelmente aceitável. Eu percebera mais cedo que ela estava
com alguns hematomas, nada muito grave, levando em consideração a noite que tivemos. Mas
isso precisaria servir. E eu precisaria de toda a minha determinação para não tomá-la de novo.
Por quanto tempo eu conseguiria resistir a ela? Não sabia. A respeito de toda a emoção que
sentia, o frio na barriga que me assolou ao pensar que eu em breve precisaria enfrentar sua
fúria – justificada – e dos resquícios de culpa, eu não pude impedir um sorriso lento de se
instalar em meu rosto. Aquele seria o primeiro dia do resto de minha vida com ela. E ela era
Bella, afinal de contas. Eu conseguira tudo o que queria.
E eu sabia que cada dia seria mais um dia de descobertas. Eternamente...


1 comentários:

Ruan Klisman disse...

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